7 coisas que aprendi – por Diego Schutt

Em uma iniciativa conjunta* entre os blogs Escriba Encapuzado e Vida de Escritor, T.K. Pereira e Alexandre Lobão convidam escritores para compartilharem suas experiências com os colegas de profissão, destacando sete coisas que aprenderam até hoje. Não interessa se você é iniciante ou veterano, se escreve poesias, contos, romances ou biografias, envie sua contribuição para esta série de artigos!

Neste post, com a palavra, o escritor, editor e tradutor convidado Diego Schutt.

  1. Entenda o papel de cada peça que compõe uma história.

    Antes de escrever um livro, aprenda a escrever um capítulo. Antes de escrever um capitulo, aprenda a escrever uma cena. Antes de escrever uma cena, aprenda a escrever um parágrafo. Antes de escrever um parágrafo, aprenda a escrever uma frase. E antes de escrever uma frase, aprenda a transformar uma ideia em uma imagem ou sensação. Entender o papel de cada peça que compõe uma história vai lhe permitir criar enredos mais elaborados e impactantes.

  2. Abra a sua mente para visões de mundo diferentes das suas.

    Se você não quer que todas as suas histórias sejam sobre a sua vida, e todos os seus protagonistas sejam versões de você, aprenda a:

    – compreender um conflito de diferentes perspectivas;

    – se colocar no lugar de alguém com quem você discorda;

    – ver pessoas e situações além das aparências;

    – ler nas entrelinhas do que os outros falam.

  3. Aceite o convite das histórias que se oferecerem a você.

    De repente, você visualiza um personagem qualquer em uma situação inusitada. Você imagina uma fala de diálogo que o faz refletir. Você pensa em uma frase que surpreende suas expectativas. Você visualiza um cenário que o deixa curioso. Esses são alguns dos sinais que você recebe quando uma história escolheu você como escritor. Ignorar esses pedaços de narrativa que se oferecem o tempo todo é abandonar uma história que está pedindo para ser escrita por você.

  4. Sua intuição é tão importante quanto seu intelecto.

    Estude teorias, pratique técnicas, e leia muitas histórias, mas confie que sua intuição fará a sua parte quando você for escrever. Na sua primeira tentativa de colocar uma história no papel, simplesmente use uma ideia como ponto de partida e escreva o que vier a sua mente o mais rápido possível.

    Não tente consertar, editar ou melhorar o texto nesta etapa. Suas mãos devem ser mais rápidas que seu pensamento. Quando você atingir um ponto em que não souber como continuar, se force a seguir em frente até que seus dedos exijam descanso. É logo após essa vontade de desistir que as melhores história se escondem.

  5. Certas histórias precisam de tempo para amadurecer.

    Nem todas as histórias nascem prontas. Aprenda a respeitar o tempo que cada uma precisa para amadurecer. Deixe seu texto descansar por alguns dias ou semanas. Só então, releia o que escreveu e avalie a história com imparcialidade. Já encontrou o conflito central da narrativa? Já sabe quem é o personagem principal? Já entendeu o que ele quer e por quê?

    Se você ainda não consegue responder a essas perguntas, entregue o trabalho novamente para sua intuição e escreva livremente. Se você já sabe que rumo dar para sua história, comece a pensar em como desenvolver uma estrutura que sustente a narrativa até o final.

  6. Alguma coisa deve mudar na vida do seu protagonista.

    Se você escrever um texto onde nada muda na vida do seu protagonista, você não tem uma história, você tem um ensaio sobre um personagem. Mudança é a base de toda história de ficção. É preciso que algo mude na vida do seu protagonista, que um certo desejo não seja alcançável num primeiro momento, e que ele esteja disposto a fazer o que for preciso para conseguir o que quer.

    É essa batalha entre desejos e obstáculos que o leitor procura em uma história. Ninguém quer saber de personagens felizes, contentes e satisfeitos, ou personagens tristes, miseráveis e descontentes, a não ser que a vida deles esteja prestes a mudar, para melhor ou para pior.

  7. O objetivo principal de uma história é entreter.

    No momento em que você tenta explicar o que o leitor deve sentir ou pensar sobre o que está acontecendo na história, você deixa de entreter e passa a educar. Resista à tentação de tentar catequizar ou informar o leitor sobre o que você pensa a sobre um assunto. Você mostra sua visão de mundo sobre o tema da história com destino que dá para cada personagem.

    Histórias não devem explicar um tema, elas devem dramatizá-lo. Deixe seus argumentos e teorias para outros tipos de texto. Concentre-se em mostrar as reações dos seus personagens às circunstâncias em que eles se encontram. Deixe que o leitor tire suas conclusões sobre o que a história significa ou representa.

Sobre o autor

diegoSchuttDiego Schutt é publicitário, escritor, editor e tradutor. Estudou escrita criativa na Austrália, Suíça, Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha e no Brasil. Diego é também o criador e editor do Ficção em Tópicos, o site mais completo sobre redação criativa do Brasil.

Visite http://ficcao.emtopicos.com para ler dicas e técnicas que vão ajudar você a transformar suas ideias em histórias. Confira também algumas histórias do Diego no projeto Casa da Ficção, resultado de uma parceria com o restaurante Shushi na Moto.

Veja a opinião de outros autores aqui e no Vida de Escritor!

eBook 7 coisas que aprendiGostou das 7 dicas do Diego? Quer aprender mais com a experiência de outros 58 escritores? Baixe agora o eBook gratuito da série 7 coisas que aprendi.

* Projeto inspirado pela coluna “7 Things I’ve Learned So Far”, da revista Writer’s Digest.


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