7 coisas que aprendi – por Vilto Reis, do site Homo Literatus

Em uma iniciativa conjunta* entre os blogs Escriba Encapuzado e Vida de Escritor, T.K. Pereira e Alexandre Lobão convidam escritores para compartilharem suas experiências com os colegas de profissão, destacando sete coisas que aprenderam até hoje. Não interessa se você é iniciante ou veterano, se escreve poesias, contos, romances ou biografias, envie sua contribuição para esta série de artigos!

Neste post, com a palavra, Vilto Reis, escritor e editor do excelente site Homo Literatus.

  1. Aposte tudo na primeira frase.

    Por que um leitor deixaria de ler seus livros preferidos para ler o que você escreve? Sim, é uma disputa injusta, mas é disso que se faz a literatura. E também é a razão para eu tentar tudo na primeira frase – García Márquez e Kafka são uma aula neste quesito.

    Tenho uma tendência a escrever espécies de “introduções” para as histórias. Com o tempo, passei a perceber que é justamente a parte que eu corto nas revisões. É preciso uma primeira frase poderosa, que capte a atenção do leitor, surpreenda-o e fascine-o.

  2. O Gato de Cheshire é um grande professor de literatura.

    Sim, falo do incorpóreo personagem de Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carrol. Na escrita, assim como na vida, quando falta um objetivo a se alcançar, geralmente se perde tempo. Quando Alice pergunta ao Gato de Cheshire qual caminho tomar para sair do País das Maravilhas, e ele a questiona aonde quer ir, ao que ela responde que não sabe, pois está perdida, ele arremata: “Para quem não sabe para onde vai, qualquer caminho serve”. Isso não impede que se tenha surpresas no meio do caminho, mas confere um sentido àquilo que se busca.

  3. Qualquer idiota pode ser criativo. Por que você não é?

    Quando entrei na faculdade de Publicidade & Propaganda, me interessei pela parte de criação – primeiro a visual, depois me rendi à escrita. Eu me questionava: é possível aprender a ser criativo? Acabei me engajando na leitura de alguns livros sobre o assunto. Aprendi que criatividade tem muito a ver com conectar ideias de forma inesperada.

    Esta capacidade de comparar coisas que parecem não ter semelhança pode ser chamada de originalidade. Por exemplo, o cara que inventou a sela, pensou numa cadeira em cima de um cavalo. Genial. Idiota também. Isso é criatividade. Não parece que qualquer idiota pode ser criativo?

  4. Ser simples não é ser simplista.

    É importante saber para quem se escreve, afinal oferecer um texto acessível pode facilitar para o seu leitor. Por mais que eu adore um Faulkner, um Joyce, um Cormac McCarthy, também acredito que não é preciso usar palavras complexas para expressar ideias profundas. Borges é um grande exemplo de complexidade de ideias, não de palavras. Ou seja, é possível ser simples sem ser simplista.

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    Vilto Reis fala dá dicas para escritores em série de vídeos no Homo Literatus. Imperdível!

  5. Escreva todo tipo de história dos outros até escrever uma sua.

     Tenho um romance de ficção científica que nunca sairá da gaveta, além de alguns péssimos contos de terror, uma crônica medieval e outras imitações malsucedidas de histórias do Neil Gaiman. Ah, e agora o mais importante, depois de escrever tudo isso, um dia escrevi um conto que era meu. Não se enquadra em nenhuma das qualificações anteriores, só eu poderia escrevê-los, não tenho dúvidas – não que isso signifique que o conto é sensacional, mas é meu, muchachos.

    Vejo histórias como uma fila de candidatos a uma vaga. Você precisa escrever todas que estiverem ao seu alcance, para chegar àquelas que são suas; e, desta forma, selecionar suas candidatas.

  6. Talvez determinação seja mais importante do que talento.

    É, assim mesmo, no duro. Esta é uma coisa que aprendi por causa do Homo Literatus. No trabalho diário com o site, conheci muita gente cheia de talento. Gente que chega toda empolgada para você, falando de suas projeções literárias, que já tem praticamente uma carreira de escritor toda planejada na cabeça. Depois de dois meses, você fala com essas pessoas e elas apresentam uma lista de desculpas de por que não estão mais escrevendo.

    Talento é sim importante – e quando se trata de escrever, ele surge com mais força à medida você se conhece –, mas sem determinação, não se chegar a lugar algum. Escrever é tirar água de pedra. Ou você tem persistência, ou nunca vai encher sua garrafa, ou seja, contar sua história com qualidade.

  7. Ter minha própria interpretação para a frase do Hemingway: “Tudo o que tens a fazer é escrever uma frase verdadeira”.

    Claro que o Hemingway tava de sacanagem ao dizer tal frase e não explicar o que quis dizer com uma “frase verdadeira”. Mas o papa podia. Aliás, tudo que se tem a aprender sobre concisão e escrita transparente, aprende-se com ele. Quanto a ter sua própria interpretação da frase do Hemingway, não fará você escrever melhor, nem dizer que conseguiu entender o conto O Gato na Chuva (que é outra sacanagem dele), porém colocam você para pensar em mecanismos da narrativa; e pouca gente que começa a escrever faz isso.

Sobre o autor

Vilto ReisVilto Reis é editor e idealizador do site Homo Literatus, além de apresentador do Podcast 30:MIN e da série de vídeos A Arte de Contar Histórias Por Escrito.

Perfil no Facebook: Vilto Reis

Página no Facebook : Homo Literatus

Twitter: @HomoLiteratus

Google+: Homo Literatus

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eBook 7 coisas que aprendiGostou das 7 dicas do Vilto? Quer aprender mais com a experiência de outros 58 escritores? Baixe agora o eBook gratuito da série 7 coisas que aprendi.

* Projeto inspirado pela coluna “7 Things I’ve Learned So Far”, da revista Writer’s Digest.



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