Aprenda com os Grandes – 7 Hábitos de Escrita de Escritores Espetaculares

Write to Done

Write to Done é uma fonte valiosa de informações para romancistas, blogueiros, publicitários e autores de não ficção. Editado por Mary Jaksch, autora de obra traduzida em 7 idiomas, este site parceiro disponibiliza o eBook gratuito The (nearly) Ultimate Guide to Better Writing e inúmeras dicas que serão compartilhadas aqui em traduções regulares.

O texto de hoje foi escrito por Leo Babauta. Confira o artigo no idioma original no Write to Done.

Escritor na Máquina de Escrever

Aprenda com grandes escritores.

Descobrir hábitos de trabalho ideais que me permitirão escrever com a maior consistência possível é algo que estou sempre explorando como escritor. Tento criar o hábito de escrever de manhã ao acordar. Isso me ajuda a focar e a garantir que eu fique em dia com minha escrita.

Adoro ler sobre meus escritores favoritos e os hábitos que os conduziram ao sucesso. Abaixo, eu compartilho com você alguns dos modos de trabalho dos meus prediletos… e é óbvio que não existe um único caminho para o triunfo.

Alguns gostam de escrever certo número de palavras ou de páginas todos os dias, outros se contentavam com uma página ou frase. Alguns gostavam de escrever à mão, outros escreviam em fichas pautadas. Alguns escreviam de pé, outros escreviam deitados.

Não existe um único método garantido. Faça o que funcionar para você (e compartilhe nos comentários!). Mas, talvez, você possa se inspirar em alguns desses grandes, como eu fiz.

  1. Stephen King: no livro On Writing*, King afirma escrever 10 páginas por dia, sem exceção, até mesmo nos feriados. Tanta escrita por dia produziu resultados incríveis e fez de King um dos mais prolíficos escritores de nosso tempo.

  2. Ernest Hemingway: em contrapartida, “Papai” Hemingway escrevia só 500 palavras por dia. Mas isso não é ruim. Como eu, Hemingway acordava cedo para escrever, evitando o calor e usufruindo da paz e do silêncio. É interessante que, embora fosse um renomado alcoólatra, Hemingway dizia nunca escrever bêbado.

  3. Vladimir Nabokov: o autor de grandes romances como Lolita, Fogo Pálido e Ada escrevia de pé e sempre em fichas pautadas. Isso o dava segurança para trabalhar cenas fora de sequencia, já que ele podia rearranjar os cartões como desejasse. O romance Ada foi escrito em mais de 2 mil fichas.

  4. Truman Capote: o autor de Bonequinha de Luxo e A Sangue Frio afirmava ser um “autor completamente horizontal”. Ele precisava escrever deitado, em uma cama ou sofá, com um cigarro e café. Com o passar do dia, o café daria lugar ao chá, e este ao xerez, e este ao Martini. Ele escrevia o primeiro e o segundo rascunhos à mão e a lápis. Até mesmo o terceiro rascunho, este digitado, era feito na cama – com a máquina de escrever equilibrada nos joelhos.

  5. Philip Roth: um dos maiores escritores americanos vivos, Roth trabalha de pé, zanzando enquanto pensa. Ele diz caminhar pouco mais de meio quilômetro para cada página que escreve. O autor separa a vida profissional da pessoal e não escreve onde vive – ele construiu um estúdio separado de sua casa. Para evitar distrações, Roth trabalha em um atril** disposto de costas para a janela do estúdio.

  6. James Joyce: Joyce se destaca no panteão de grandes autores do último século. Enquanto escritores mais prolíficos se impunham limites de palavras ou páginas, Joyce se orgulhava de dedicar-se a cada frase, sem pressa. Uma história notória conta como um amigo de Joyce o perguntou se tinha tido um bom dia de escrita. “Sim”, respondeu Joyce alegremente. “Quanto escreveu?”. “Três frases”, Joyce lhe revelou.

  7. Joyce Carol Oates: esta autora extremamente prolífica conquistou inúmeros prêmios, incluindo o National Book Award. Ela escreve à mão e prefere escrever de manhã, antes do café da manhã, embora não siga uma agenda formal. Professora de escrita criativa, Oates escreve, nos dias em que leciona, por uma hora ou 45 minutos antes de sua primeira aula. Em outros dias, quando a escrita flui bem, ela pode trabalhar por horas, sem intervalo – e toma café da manhã às 2h ou 3h da tarde!

Mito ou realidade? Diz-se que o segredo da prolixidade de Oates é sempre trabalhar em quatro peças. A organização de seu escritório a permite sentar-se em meio a quatro máquinas de escrever (ou computadores, a esta altura). Quando sente vontade de desenvolver uma peça específica, ela só precisa se voltar para a mesma. Será?!

Notas do Tradutor:

* O livro On Writing de Stephen King ainda é inédito no Brasil.

** Atril: espécie de estante em plano inclinado onde se põe papel ou livro aberto para se ler comodamente (do Novo Dicionário Aurélio).

Para saber mais:

  1. Biografia de Joyce Carol Oates no Wikipédia: confira a extensa obra dessa prolífica escritora americana  (em inglês).

  2. National Book Award no Wikipédia: um dos mais importantes prêmios literários dos Estados Unidos (em inglês).

  3. eBook 7 coisas que aprendi: 58 escritores nacionais incríveis compartilham suas experiências neste eBook gratuito. Imperdível!

  4. Série 7 coisas que aprendi: página principal do projeto que convida escritores em diversas fases da carreira a compartilharem suas experiências.

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