7 coisas que aprendi – por Júnior Bellé

Em uma iniciativa conjunta* entre os blogs Escriba Encapuzado e Vida de Escritor, T.K. Pereira e Alexandre Lobão convidam escritores para compartilharem suas experiências com os colegas de profissão, destacando sete coisas que aprenderam até hoje. Não interessa se você é iniciante ou veterano, se escreve poesias, contos, romances ou biografias, envie sua contribuição para esta série de artigos!

Neste post, com a palavra, o jornalista e poeta, Júnior Bellé, autor de Trato de Levante e de Balaclavas & Os Profetas do Caos, um “livro-reportagem desavergonhadamente old school“.

Não diria que abaixo estão listadas sete coisas que aprendi, mas que estou aprendendo, investigando, esmiuçando para, então – e só então -, as apreender. Torço para que este empirismo que me acompanha seja útil para outros, e que estes outros o aperfeiçoem ainda mais. Ou, num golpe de sorte para o qual eu seria eternamente grato, concebam a teoria que lhe falta.

  1.  Literatura é solitária, mas não se esqueça de ombrear-se.

    Escrever é, por definição, um ato solitário. Mesmo que você o considere um ofício, uma paixão, um talento, uma necessidade, etc. Não importa; diante da página em branco estarão apenas você e seus monstros. Mas esse imperativo não pode obscurecer o fato de que outros estão, como você, escrevendo, também solitários com seus monstros.

    Conheça seus contemporâneos, saiba quem está contando o mundo que vivemos hoje, e quem hoje está imaginando outros mundos. Interesse-se pela literatura dos seus amigos e inimigos e, sempre que possível, construa pontes até eles. A literatura é solitária, a cena literária não.

  2.  Transpire, mas acima de tudo, pire.

    Aquele papo de que blá-blá-blá é 90% transpiração costuma estar certo. Infelizmente, ele também se aplica no caso da literatura, e particularmente da poesia. Mas de nada vale um mar de suor se nesse mar não tiver ondas pra surfar ou, pelo menos, pegar jacaré. Pire, leve sua insensatez a sério, embrenhe-se nela; afinal ela é, muito provavelmente, sua melhor matéria prima. Isso nos leva até a próxima sugestão.

  3. Crie uma rotina de trabalho e depois a esculhambe.Livro Reportagem Balaclavas e os Profetas do Caos

    Escrever diariamente é muito, mas muito importante. Organizar sua rotina para libertar algumas horas exclusivamente para seu processo criativo é essencial. Só não deixe que isso se torne mais uma implacável rigidez. Deixe que a história que você está escrevendo te chame, venha sussurrar umas besteiras no pé do ouvido.

  4.  Escolha a dedo seus vícios.

    Café, chás, açúcar, álcool, chicletes, maconha, chimarrão, tabaco, kryptonita, etc. É comum – e eu iria adiante, é recomendável – que você tenha um parceiro de mesa, mas lembre-se que cada substância possui um temperamento diferente e forte. Saiba o que pode te ajudar ou te estrepar quando estiver escrevendo. O que significa dizer: experimente!

  5.  Dê tempo a seus personagens.

    Existem cenas que pipocam nas ideias absolutamente prontas. Elas surgem de repente, no sonho, no banho, na privada, durante uma discussão com a namorada ou namorado. O trabalho, nesse caso, é organizá-la. Mas há cenas, enredos e personagens que precisam de tempo, que exigem que oxigenemos os pensamentos. Não se incomode ou se doa por eles, matute com paciência – e persistência – os nós que sem dúvida aparecerão.

  6.  Mãos de tesoura.

    Corte, recorte, corte de novo e de novo. Confesso que este ainda é um drama em minhas histórias; costumo sentir cada talho no texto como um rasgo na carne. Acho difícil cortar, por isso meus textos usualmente ultrapassam o limite do razoável. E ultrapassar esse limite nem é o pior nisso tudo, mas rechear seu texto de inutilidades, de detalhes pouco relevantes ou mesmo de imprecisões. Seja impiedoso e tesoure muito até a derradeira versão!

  7.  Esqueça tudo isso e faça do seu jeito.

    Não se prenda a regras, sugestões e dicas de escritores como eu. Leia-as, pense a respeito e, como uma boa dialética, construa as suas. O fundamento da poesia é a rebeldia, como bem escreveu Mario Benedetti. Portanto, rebele-se!

Sobre o autor

Poeta Júnior BelléJúnior Bellé é poeta e jornalista. Publicou de forma independente o primeiro livro de poemas, O Sonhador Que Colhe Berinjelas na Terra das Flores Murchas. Sua mais recente obra é Trato de Levante, poesia publicada pela Patuá. Na não ficção estreou com Balaclavas & Os Profetas do Caos (Livro Novo). Costuma escrever regularmente para as revistas da Cultura e Status, e, esporadicamente, para Piauí, Super e Playboy.

Processo Criativo: 2 Mil Toques

Site Oficial: Júnior Bellé

Facebook: Perfil

Twitter: @JrBelle

Google+: Perfil

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* Projeto inspirado pela coluna “7 Things I’ve Learned So Far”, da revista Writer’s Digest.



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