3 hábitos que separam bons escritores de presunçosos trágicos

Write to Done

Write to Done é uma fonte valiosa de informações para romancistas, blogueiros, publicitários e autores de não ficção. Editado por Mary Jaksch, autora de obra traduzida em 7 idiomas, este site parceiro disponibiliza o eBook gratuito The (nearly) Ultimate Guide to Better Writing e inúmeras dicas que serão compartilhadas aqui em traduções regulares.

O texto de hoje foi escrito por Glen Long, instrutor de escrita criativa. Confira o artigo no idioma original no Write to Done.

Escritor SorridenteVocê quer se tornar um bom – quiçá, grande – escritor. Você estuda livros sobre escrita. Você acompanha blogs sobre escrita. Diabos, você até já pensou em fazer aulas de escrita. Mas você é atormentado por pensamentos recorrentes.

E se você estiver desperdiçando seu tempo? E se, simplesmente, a boa escrita não estiver em seu DNA? E se o estudo e a prática não levarem você de onde está agora para onde você quer estar?

Afinal, vamos encarar, nem todo mundo pode ser um bom escritor.

O mito persistente da boa escrita

Existe certa pretensão em torno da escrita. A culpa disso pode até ser um pouco sua. A ficção literária é melhor que a ficção de gênero. Jornalismo tradicional é melhor que o de blog. Livros “reais” são melhores que eBooks. Mas uma forma não é inerentemente melhor que a outra. A boa escrita não existe no vácuo.

O único modo verdadeiro de determinar a qualidade de uma peça escrita é avaliar o impacto que esta causa em seu público-alvo. Ela os envolveu? Ela os comoveu? Ela os mudou? Todas as demais questões são irrelevantes. É claro, isso gera um problema para escritores sérios que querem aprimorar suas habilidades, como você. Porque quando você publica um trabalho e obtém a reação do seu público, é tarde demais para fazer alterações.

E se a escrita e o público não estão conectados, a reação mais comum é nenhuma reação:

  1. Não há comentários no post mais recente de seu blog.

  2. Não há e-mails elogiando (ou condenando) seu manifesto ousado.

  3. Não há resenhas do seu romance recém-publicado no Kindle.

Então, onde isso te deixa? Como você se torna bom? Como você pode saber se isso é mesmo possível?

A grande pergunta: qualquer um pode se tornar um bom escritor?

Eu serei honesto aqui. Não acredito que qualquer um possa se tornar um bom escritor. Assim como não acredito que qualquer um possa se tornar um bom matemático, um bom artista ou um bom chefe de cozinha. Porque, inevitavelmente, a natureza desempenha seu papel.

No íntimo, porém, isso talvez soe encorajador para você. Afinal, quem quer ser bom em algo que qualquer pessoa pode dominar? E mesmo não crendo que qualquer um possa se tornar um bom escritor, eu acredito, apaixonadamente, que todo mundo pode se tornar um escritor melhor.

Para ser bom, você precisa melhorar.

3 passos essências para melhorar sua escrita

Três passos simples sintetizam como se tornar um escritor melhor:

  1.  Estudo: você passa a conhecer os princípios da boa escrita e as convenções da forma que escolheu. Você estuda as regras gramaticais e descobre não há nada demais em burlá-las. Você procura entender outros elementos da boa escrita, como tom, ritmo, estrutura. Você explora intenção e tema. E você compreende que sempre terá mais a aprender.

  2.  Prática: você escreve e reescreve até que sua obra seja tão boa quanto o permitido por suas habilidades atuais. Você cria o hábito de escrever, comprometendo-se com uma meta diária. Você escreve quando está a fim e quando não está. Você escreve enquanto seus amigos estão se divertindo por aí porque você lhes disse: “Não, eu tenho que escrever”.

  3.  Avaliação: você sai em busca de comentários e críticas de outros escritores, amigos, professores, quiçá um mentor. Você sabe que essas pessoas são dublês imperfeitos de seu público real, mas entende que a avaliação é o combustível que te impulsiona adiante. E quando a avaliação sugere que sua escrita está aquém do esperado, você volta a estudar e a praticar.

Este ciclo de aprendizagem é essencial, pois ajuda você a aprimorar seus instintos de escritor. Ele capacita o crítico interno que orienta as centenas de decisõezinhas que você toma toda vez que se senta para escrever.

Contudo, ele não vai te ensinar tudo o que você precisa para se tornar um bom escritor.

As qualidades furtivas da boa escrita que não podem ser ensinadas.

Embora estudo, prática e avaliação aprimorem suas habilidades técnicas de escritor, algumas qualidades essenciais da boa escrita são mais furtivas:

  •  Empatia: é a sua capacidade de se colocar na mente do leitor ou na de personagens. A empatia permite ao blogueiro ou ao escritor independente conectar-se fortemente com o público-alvo escolhido. Ela ajuda o romancista a criar personagens verossímeis que em nada lembram seu criador.

  •  Imaginação: são ideias e conexões singulares que existem abaixo da superfície de sua escrita. A imaginação ajuda um escritor de fantasia a criar mundos exóticos e, ainda assim, verossímeis. Ela permite que um autor de não ficção veja um velho problema de uma nova perspectiva. Ela dá a um escritor de contos a premissa para sua próxima narrativa.

  •  Paixão: um amor pela linguagem, um desejo de comunicar, e um prazer em contar histórias. A paixão é aquela energia criativa que te carrega pelos tempos de incerteza e rejeição. É a voz que diz calma e consistentemente: “seja um escritor”.

Estas são as qualidades que te ajudam a capturar as mentes e os corações de seu público. Estas são as qualidades que criam uma voz única e imperativa que não necessita brigar por atenção. Estas são as qualidades que separam os bons escritores dos presunçosos trágicos.

Mas se empatia, imaginação e paixão não podem ser ensinadas, como elas são adquiridas?

Os hábitos simples que dão ao escritor uma chance de grandeza.

Surpreendentemente, os hábitos que dão a você mais chances de se tornar um bom escritor têm pouco a ver com escrita. Mas se você integrá-los a sua vida, eles te ajudarão mais do que qualquer professor ou mentor:

  •  Viva plenamente além da escrita. Experiências de vida alimentam a escrita autêntica e poderosa. Saia do caminho para conhecer e entender diferentes tipos de pessoas – isso desenvolverá seu músculo da empatia. Coloque-se em situações novas, quiçá desafiadoras. Absorva tudo. A vida até pode imitar a arte, às vezes, mas, com maior frequência, a vida inspira a arte.

  •  Cultive gostos diversificados. Não limite a leitura a um assunto ou gênero favorito. Assista ficção e não ficção no cinema e na televisão; ouça conversas e podcasts de temas diversos. Influências incomuns destacarão a sua escrita daquela de seus pares. As conexões inesperadas são fagulhas que resultam em novas ideias e pontos de vida surpreendentes.

  •  Satisfaça suas paixões. A paixão verdadeira é rara e deve ser agarrada sempre que surgir. Não descarte nem ignore interesses que pareçam incomuns, irrelevantes ou chatos. Seja ousado e procure outros que compartilhem seus entusiasmos. Aprenda a tolerar sentir-se diferente e inseguro. A paixão desinibida costuma se espalhar para outras áreas de sua vida.

Você está pronto para ser bom?

Qualquer um pode ser tornar um escritor melhor. É preciso estudo, prática e avaliação. E os professores e mentores adequados acelerarão seu progresso.

Contudo, você só terá a chance de se tornar um bom escritor quando parar de pensar na escrita como uma habilidade a ser aprendida e passar a vê-la como uma faceta de um projeto bem maior: tornar-se alguém que vale a pena ser ouvido.

Porque o mundo não quer pessoas que apenas dominam os mecanismos da boa escrita. Mas ele sempre precisará de mais escritores para espalhar ideias ousadas e contar novas histórias.

E então, quais hábitos você adotará para se tornar um bom escritor? Compartilhe aí embaixo nos comentários.

Para saber mais:

  1. eBook 7 coisas que aprendi: 58 escritores nacionais incríveis compartilham suas experiências neste eBook gratuito. Imperdível!

  2. Série 7 coisas que aprendi: página principal do projeto que convida escritores em diversas fases da carreira a compartilharem suas experiências.

  3. 10 artigos mais lidos do Escriba Encapuzado em 2014: confira uma seleção de textos que podem te ajudar a ser um escritor melhor.


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