7 coisas que aprendi – por Danilo Leonardi, do Cabine Literária

Em uma iniciativa conjunta* entre os blogs Escriba Encapuzado e Vida de Escritor, T.K. Pereira e Alexandre Lobão convidam escritores para compartilharem suas experiências com os colegas de profissão, destacando sete coisas que aprenderam até hoje. Não interessa se você é iniciante ou veterano, se escreve poesias, contos, romances ou biografias, envie sua contribuição para esta série de artigos!

Neste post, com a palavra, Danilo Leonardi, idealizador do canal Cabine Literária e autor de Por que Indiana João?

  1.  Humildade profissional.

    Entenda que da mesma forma que você escolhe suas editoras favoritas a dedo, as editoras também são muito seletas em relação aos seus autores. Vejo muitas pessoas perguntando qual a melhor editora pra se trabalhar, quando na verdade deveriam estar se perguntando qual editora estaria minimamente interessada em trabalhar com elas.

    A não ser que você seja muito famoso ou tenha provado que consegue vender uma grande quantidade de livros, você não vai ter poder de escolha. Muitas vezes, nem essas qualidades garantem alguma coisa.

  2.  Você não é a J. K. Rowling.

    Se eu ganhasse um real pra cada autor que me diz “Imagine se a J. K. Rowling tivesse desistido de Harry Potter depois do primeiro não!”, eu poderia me aposentar agora. Você tem 15 anos e quer saber se vale a pena tentar oferecer seu livro sobre um cara de 40 anos que perde a família em um acidente de carro? A resposta é: não. Ninguém vai comprar a ideia de que um escritor tão novo vai ter algo interessante pra dizer sobre esse assunto.

    “Ah, mas não perco nada por tentar”. Isso não é necessariamente verdade. Muitas editoras têm selos de livros sob demanda. Isso significa que elas poderão aceitar seu livro mesmo que achem seu plot e escrita uma bosta. Pagando bem, que mal tem?

    Aí você gasta milhares de reais pra imprimir um livro que sua mãe, sua vó e sua tia vão comprar (mas não vão ler), e de quebra ganha um encalhe de 500 livros pra enfiar na sua casa. Parece interessante? É, acho que não.

  3.  Humildade artística.

    Por mais que você se ache o próximo Saramago ou o próximo Machado de Assis, lembre-se de que você é um bosta.

    Exato.

    Por que Indiana, João?Não importa quem você é ou o que você aprendeu. Quando uma pessoa pega seu livro pra ler, ela vai gastar horas de sua vida que não vão voltar nunca mais. Ela poderia estar dormindo, estudando pro vestibular, fazendo sexo, mas estará lendo seu livro. Se o editor diz que uma cena ficou uma merda e você vai ter que reescrever ou apenas cortar, você abaixa a cabeça e diz “Sim, senhor”.

    Existem coisas que valem a pena bater o pé pra manter no livro? Claro. Mas são pequenas exceções, não a regra. “Ah, mas a J. K. Rowling…”. J. K. Rowling também teve que ouvir seu editor. Pode ter certeza.

  4.  Adapte-se ou morra.

    Ser escritor profissional exige desapego. Não importa se você ama vampiros, quando o mercado não está comprando livros de vampiro. Nessas horas é importante se perguntar: você é um escritor profissional ou uma putinha do seu gênero favorito?

    Gêneros são cíclicos, então pode ter certeza de que em algum momento você vai poder escrever sobre aquilo que deseja, mas é importante mostrar versatilidade ao seu público, se você quiser viver da escrita.

  5.  Engaje sua audiência.

    Antes das redes sociais, as editoras tinham que mover montanhas pra divulgar autores nacionais, por isso desde sempre os livros importados tiveram grande vantagem, porque já vinham com o marketing pronto.

    Hoje em dia livros nacionais têm muito mais espaço, felizmente, mas isso se deve ao fato de que nós, brasileiros, somos ávidos por interação on-line. Você já tem perfil nas principais redes sociais? Interage com seus fãs? Você tem fãs? Já pensou em escrever contos ou livros gratuitamente nas plataformas de escrita?

    Editoras brasileiras lutam por sobrevivência ano após ano. Não é como se estivessem nadando em dinheiro e ansiosos por investir em autores desconhecidos, então faça a sua parte.

  6.  Livros que vendem são muito importantes.

    É vergonhoso encontrar escritores dizendo asneiras como “Livros de colorir não são livros! Só gente burra compra isso!” etc. Pra que uma editora consiga publicar um Milan Kundera ou uma Chimamanda, é necessário que haja um livro de colorir ou um YA que vai virar filme do outro lado.

    A gente deveria até ser grato por saber que as editoras ainda se preocupam em publicar alta literatura, porque não existe nenhuma lei dizendo que elas não podem publicar só livros altamente comerciais.

    Livros que vendem ajudam a sustentar o mercado e manter as editoras funcionando, então pense duas vezes antes de criticar a vendagem daquele livro que você acha ruim, mas salvou milhares de empregos, inclusive o seu.

  7.  Agentes literários importam.

    Ainda não é tão comum que autores brasileiros tenham agentes, mas isso está se tornando uma realidade bastante presente nas grandes editoras. Aqui também é necessário tomar cuidado, porque existem muitos agentes que cobram pela indicação e depois ainda têm a cara de pau de indicar para um selo sob demanda. Evitem a todo custo.

    Conseguir um bom agente muitas vezes é quase tão difícil quanto conseguir uma editora, mas faz toda a diferença do mundo, então insista e escute bem todas as críticas que receber no processo.

Sobre o autor

Danilo LeonardiDanilo Leonardi é um leitor nato, mas nunca pensou que sua ambição de escrever um livro se concretizaria até nascer a ideia de Por que Indiana, João?. Criador do Cabine Literária, um dos maiores sites de literatura do Brasil, Danilo acredita no poder da leitura e se esforça para que ela se torne cada vez mais popular

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* Projeto inspirado pela coluna “7 Things I’ve Learned So Far”, da revista Writer’s Digest.


Opiniões
  1. Linus

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