7 coisas que aprendi – por Cirilo S. Lemos

Em uma iniciativa conjunta* entre os blogs Escriba Encapuzado e Vida de Escritor, T.K. Pereira e Alexandre Lobão convidam escritores para compartilharem suas experiências com os colegas de profissão, destacando sete coisas que aprenderam até hoje. Não interessa se você é iniciante ou veterano, se escreve poesias, contos, romances ou biografias, envie sua contribuição para esta série de artigos!

Neste post, com a palavra, o escritor Cirilo S. Lemos, autor de O Alienado, E de Extermínio e várias outras histórias.

  1.  Escrever dá trabalho e não há nada a fazer sobre isso.

    Para começo de conversa, só escreve quem lê. E lê muito. E lê mais um pouco. E lê de tudo. O tempo todo. Até os olhos caírem. Se você é daqueles que acham leitura uma atividade cansativa, talvez seja melhor fazer algo diferente, porque essa é a parte fácil da coisa toda.

    Talvez você tenha de ler centenas de boas histórias antes de poder contar uma ruim. Ela vai tirar horas de seu sono, das suas séries, do seu almoço, do chopinho com a galera, do cineminha com aquele garoto ou garota, vai embolar seus neurônios, encher sua lixeira com papeis amassados, acabar com suas canetas e com sua vontade de ser escritor.

    Mas se você resistir às intempéries e chegar ao ponto final, sentirá uma felicidade tremenda. Por trinta segundos. Porque escrever é reescrever.

  2.  Começar uma nova história é aprender tudo de novo.

    Uma vez que tenha terminado seu conto/noveleta/romance (ei, parabéns), você provavelmente estará confiante o suficiente para achar que pode fazer tudo de novo. Mas logo perceberá, pobrezinho, que a maioria dos truques e macetes que você desenvolveu na experiência anterior não estão sendo de muita ajuda agora.

    Não há receita aqui, não há fórmula. Um golpe não funciona duas vezes com um cavaleiro. Desenvolva novas abordagens.

  3.  Planejar muito, não planejar nada.

    Algumas histórias precisam de um mapa para seguir mais ou menos na direção pretendida. Mas tenha em mente que um roteiro não quer dizer que a história vai ser boazinha e se comportar. Ela vai apenas fazer o que quiser. Vai ser preciso um bocado de jogo de cintura para se adaptar ao seu jogo e chegar vivo ao fim.

    Em outras ocasiões, a história vai irromper numa torrente furiosa, vinda de algum plano diferente daquele que você habita, e não haverá tempo para planejar nada. Apenas escreva antes que o sinal se perca e torça para dar certo.

  4.  Respeitar os clichês, mas não muito.

    Pense neles como aquele par de tênis confortável, mas meio gasto pelo uso. É até conveniente calçá-lo em algumas ocasiões, mas se exagerar, as pessoas vão perceber o furo no dedão ou o leve odor de chulé.

  5.  Escrever enquanto um tornado leva sua casa pelos ares.

    O Alienado, de Cirilo S. LemosAs crianças não estão em casa. O vizinho não está ouvindo forró no último volume. Os dois lados do fone estão funcionando. O refrigerante está gelado (ou o café está quente). O Facebook foi atualizado. A louça está limpa. O gato desistiu de dormir sobre o teclado. Você está inspirado, cheio de energia. Desista, essas coisas nunca vão acontecer.

    Tem um milhão de coisas acontecendo ao seu redor, o planeta não vai criar as condições necessárias para sua veia artística desabrochar e você escrever o grande romance brasileiro. Escreva no meio da gritaria, no ônibus sacolejando, enquanto seus alunos realizam tarefas, na fila do banco, separando briga de criança, falando ao celular, fugindo de tiroteio. Só escreva.

  6.  Perseverar.

    Sua mãe adorou sua história, mesmo sem ter lido. Aquele amigo elogiou pacas. Mas por que será que não foi aceito naquela coletânea? Talvez a história não esteja boa. Ou uma história melhor ocupou a vaga. Quem sabe você submeteu um conto sobre lobisomens para uma antologia sobre flores. O que importa é: não desista. Descubra onde está o erro, corrija e tente outra vez.

  7.  Baixar a bola.

    Receber elogios é muito bom, mas não deixe que eles te convençam de que você é grande coisa. Não é. Pode ter sido sorte, nunca se sabe. As críticas também virão. Você pode discordar delas, ficar triste, rasgar suas roupas num acesso de fúria.

    Mas é preciso refletir sobre os pontos que elas levantam, descobrir maneiras de evoluir com elas e melhorar enquanto as lágrimas de desespero escorrem pelas suas bochechas e você rola pelas cinzas calcinadas do deserto em que seu ego se tornou.

Sobre o autor

Cirilo S. LemosCirilo S. Lemos é de Nova Iguaçu, Baixada Fluminense, e devorava planetas até o médico mandar parar. Passa a maior parte de seu tempo rosnando, reclamando e voltando ao início. Gosta de realidades seguras, sonhos absurdos e molho de tomate feito com tomate de verdade. É autor dos romances O Alienado, E de Extermínio (Ed. Draco) e de um punhado de outras histórias.

Sites:  Quotidianos

Livros: na Amazon

Perfil no Facebook: Cirilo S. Lemos

Twitter: @CiriloSL

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* Projeto inspirado pela coluna “7 Things I’ve Learned So Far”, da revista Writer’s Digest.


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