7 coisas que aprendi – por Li Mendi

Em uma iniciativa conjunta* entre os blogs Escriba Encapuzado e Vida de Escritor, T.K. Pereira e Alexandre Lobão convidam escritores para compartilharem suas experiências com os colegas de profissão, destacando sete coisas que aprenderam até hoje. Não interessa se você é iniciante ou veterano, se escreve poesias, contos, romances ou biografias, envie sua contribuição para esta série de artigos!

Neste post, com a palavra, Li Mendi, escritora publicada e colunista do blog Vida de Autor da plataforma Widbook.

  1.   Criação.

    Criar não é catarse. Não é diário. APENAS. O texto carrega um pouco da sua experiência e pode até ter fatos do seu dia-a-dia, mas, precisa ter ritmo, efeito surpresa, sabor, ensinamentos. Logo, é necessário elaborá-lo. Para isso, afaste-se de si mesmo e crie novas personas, dê complexidade e conflito às suas vidas e chegue a construir vilões apaixonantes!

  2.   Edição.

    Seja neurótico e não acredite sempre no seu próprio olhar na correção do texto, pois este pode lhe trair pelo cansaço. Isso significa ler cinco vezes letra por letra, ponto por ponto e, quando terminar, ainda desconfiar que alguma vírgula lhe escapou.

    Todo editor vai te dizer que não existe o livro perfeito e que em todos tem pelo menos um errinho de revisão. Sua tarefa é não deixar erros grosseiros passarem e ser tão ortodoxo com a correção como um louco. Porque livros mal revisados podem ser cruelmente julgados por uma galera das redes sociais.

    Quando escrevo na web os capítulos semanais sou mais relax, mas, quando publico um impresso, sou quase doente em “tri-reler”. Pare um pouco, tome um café, respire, vá dar uma volta e depois retome o texto. Porque sua cabeça entra no automatismo!

    Sobre copidesque, você é o criador. Se não ficou boa a ceifa que fizeram no seu texto, brigue pelos pedaços que tiraram e explique por quê. Essa é a sua arte! Mas, seja mais aberto na hora de aceitar os acréscimos sutis e ajustes na fluência do texto que não prejudicam o ritmo do enredo. Faz parte, amigo!

  3.   Publicação.

    Eu pensava que o mais difícil fosse conseguir uma editora e publicar. Se já passou dessa fase do jogo, vai concordar comigo. Se não passou, um dia vai lembrar de mim. Não é impossível que alguém te publique e até você mesmo consegue criar um selo e se auto-divulgar. Mas o difícil mesmo é: estar na bancada das livrarias, alcançar um público grande e vencer o analfabetismo funcional do brasileiro.

    Você quer que alguém compre seu livro, porém, quando olha para a média de leitura do Brasil, se depara com uma realidade triste. Não adianta só reduzir o preço do livro, é preciso ter interesse e intelecto para querer comprá-lo. E isso não depende só de você, nem da sua editora apenas.

    Por isso, viva com o fato de que nem todas as forças do universo podem ser controladas. Mas, seja feliz e se alegre com cada pequena conquista. Porque quem luta pelo necessário, consegue chegar ao ótimo. Não espere uma primeira tiragem de muitos milhares, mas dê um grito de vitória depois do primeiro milheiro vendido. É assim mesmo, continue em frente!

  4.   Divulgação.

    As melhores coisas sobre você são ditas pelos outros, não por você. Tente usar suas redes sociais para colocar conteúdo interessante e relevante, que não seja só do seu trabalho, porque, por mais estupendo que seja, é enjoativo ouvir todo dia só sobre você. Então, tenha equilíbrio nas suas postagens.

    Faça uma rede de parceiros e deixe que eles falem das suas obras e aguente firme para as críticas que virão junto com isso. Nada de pirar, se afaste um pouco e entre na sua caverna para escrever. Colha só o que for ajudar a construir, o resto pode ser diluído com uma caipirinha no fim de semana e uma boa risada. Seja breve no sofrimento; um atleta no suor do teclado e um monge budista de tanto FOCO! FOCO! FOCO!

  5.   Viver como Escritor.

    Você precisa pagar a conta da padaria e ter sua independência. Por isso, tenha planos em paralelo. Estude, faça uma faculdade, se empenhe no trabalho. Lá você pode conhecer um monte de gente interessante e ganhar um salário que te permita ter um tempo tranquilo nas horas vagas para escrever e atender seus fãs nas redes sociais. Ser escritor não vai te fazer ficar rico tão rápido, então, mantenha seu plano B. Até que possa voar mais alto e em liberdade!

    Haverá dias no seu trabalho, diante de uma planilha de Excel, que você poderá ter vontade de afrouxar a gravata e só viver de fazer sua arte. Mas, como eu disse: precisa pagar a escola do seu filho, o plano de saúde e colocar o leite na mesa. Quem é muito jovem e não tem uma família pode não ver a importância nisso, mas, uma hora, a responsabilidade cai em nossas costas.

    Eu gosto do que faço como publicitária e até me divirto com algumas peças. Foi lá que ganhei uma grana para pagar 2 MBAs maravilhosos, fiz muitos cursos, viajei para vários países, banquei meus primeiros livros e também conheci uma pessoa que me apresentou a minha primeira editora.

    Sonho em um dia viver apenas como escritora. Mas ter o plano B me permitiu SER escritora todos os dias, sem ficar no vermelho no banco. Então, vá com calma, vá com equilíbrio, vá devagar e sempre do que rápido e desastrosamente.

  6.   Escolhas.

    Livro O Mestre do Amor, de Li MendiVocê tem um dia para fechar a revisão do seu livro para a editora, mas, é dia da festa de um amigo, sua mãe quer falar ao telefone, seus colegas de trabalho te chamam para um chopinho depois do expediente. Sim, vai precisar escolher. Então, escolha sua arte.

    Mas saiba ser criterioso nos momentos críticos e condescendente com você mesmo nos momentos em que sua editora e seu público puderem esperar. Porque precisa ter tempo para sair, se divertir, viajar e parar tudo, sim! Para dar energia aos outros é necessário que recarregue as suas baterias! Se não sabe distinguir o urgente do importante, vai ficar doente diante do computador, respondendo a mil e-mails e mensagens.

    Dê a você a mesma atenção que dá aos outros, porque a vida é passageira e também deve se divertir! Faz parte FRUSTRAR as pessoas porque você não é um super-herói. Elas vão suportar esperar um pouquinho, acredite. Quando conseguir organizar sua agenda de prioridades, publicará mais livros, mais textos e se verá muitíssimo mais produtivo, menos estressado e sem gastrites.

  7.   Reinvente-se.

    A cada capítulo e a cada livro, se imponha o desafio de saltar mais alto. Busque reinventar-se. Leia e devore os livros de autores que admira, veja muitos filmes e se alimente da produção dos grandes para ter uma arte mais enriquecedora a oferecer! Permita-se alguns ensaios de algo diferente, porque pode se redescobrir.

    Nessas horas, leia menos as críticas e comentários, porque o público é como um professor do jardim de infância que está ali opinando sobre seus desenhos e rabiscos iniciais. Não se prenda ao que ouve como verdade absoluta. Mergulhe no espírito da criança que mora em você e se solte por longas horas, compenetrado, esquecendo o mundo. O monstro da crítica não vai conseguir falar no seu ouvido, se teclar rapidamente sem respirar. E se chegar a ouvir sua voz, mande calar a boca e continue, continue, continue!

Sobre a autora

Escritora Li MendiLi Mendi é autora brasileira dos livros impressos O Amor está no Quarto ao Lado, Alma Gêmea por Acaso, Coração de Pelúcia, A Verdadeira Bela, O Mestre do Amor e de tantos outros digitais e free disponíveis no seu site (limendi.com.br). Com mais de 11 mil fãs, ela é colunista do blog Vida de Autor do Widbook.

Site Oficial: Li Mendi

Vida de Autor: Blog no Widbook

Facebook: Perfil

Twitter: @LiMendi

Wattpad: @LiMendi

Veja a opinião de outros autores aqui e no Vida de Escritor!

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* Projeto inspirado pela coluna “7 Things I’ve Learned So Far”, da revista Writer’s Digest.



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