7 coisas que aprendi – por Viviane Maurey

Em uma iniciativa conjunta* entre os blogs Escriba Encapuzado e Vida de Escritor, T.K. Pereira e Alexandre Lobão convidam escritores para compartilharem suas experiências com os colegas de profissão, destacando sete coisas que aprenderam até hoje. Não interessa se você é iniciante ou veterano, se escreve poesias, contos, romances ou biografias, envie sua contribuição para esta série de artigos!

Neste post, com a palavra, Vivane Maurey, editora na Rocco Jovens Leitores e autora finalista do concurso Brasil em Prosa da Amazon com o conto Entre duas gotas de chuva.

  1.   Ideias não surgem do nada, elas precisam ser estimuladas.

    Para escrever não dá para esperar pelas ideias. Elas aparecem quando a gente menos espera, não adianta fazer a mesa do jantar, acender as velas, colocar aquele perfume e ficar esperando, porque ela não vai correr pra você. Além do mais, ideias não são pontuais, são cariocas, não têm hora pra chegar…

    Então se você quer encontrá-las, precisa correr atrás delas. E como fazer isso? Abrindo o caminho. É bem simples. Basta fingir que não precisa delas, que não precisa desesperadamente de seus conselhos, e começar a escrever, assim mesmo, sem ajuda. Faça isso e elas virão correndo. Pode ser um minuto depois de você começar a escrever, pode ser uma hora. Tem que ter paciência.

  2.   Não adianta forçar um processo criativo, você vai encontrar o seu.

    A pergunta que todo escritor recebe pelo menos umas trinta mil vezes é: como é o seu processo criativo? Alguns vão dizer que escrevem um roteiro completo, que sabem tudo o que vai acontecer antes de começar a escrever, outros vão dizer que são esquizofrênicos e deixam a história fluir conforme vão escrevendo.

    Talvez até tenham alguns que começam a escrever o que vem à cabeça e mais ou menos na metade resolvem fazer o roteiro, coisa de doido, eu sei, mas é o meu caso. Vai depender de cada um. Não tem regra nem melhor nem pior. O que funciona pra um pode não funcionar para o outro.

  3.   Não existe timidez na escrita.

    Para escrever um personagem coerente, forte e memorável, o autor precisa olhar nos olhos dele, sem medo e sem vergonha, vê-lo em seu estado mais vulnerável, nu e fraco, e ter coragem para conhecer seus piores defeitos… Não adianta só amá-lo. É preciso entendê-lo, mesmo que você não concorde com ele. Empatia acima de tudo.

  4.   A prática e a disciplina são mais confiáveis que o talento.

    Sabe aquela velha história sobre escrever todos os dias? Pois é. É verdade. Não tem magia negra envolvida. Quer aprender a escrever bem? Tem que praticar. Como qualquer outra coisa na vida. Esperar vir a inspiração não vai funcionar. Ela e a ideia são farinha do mesmo saco, adoram zoar com a cara dos escritores.

    As danadas criaram uma sociedade secreta quando o homem começou a escrever, juro, e tão aí até hoje mais fortes que Illuminati e caralho a quatro. O único jeito que eu consegui dobrá-las a meu favor foi passando por cima delas, criando metas diárias, traçando objetivos. Perseverança na cara assanhada delas.

  5.   Devemos dizer a verdade.

    Tem gente que não sabe mentir. E não é contando uma mentira que você está de fato mentindo. Às vezes, você só não sabe o que está falando, e por mais convincente que você soe os outros não estão caindo na sua lábia.

    Você pode achar que sim, mas na dúvida superestime os outros, nunca subestime. Se você conhece bem o unicórnio que queria ser cavalo porque ele não gostava do próprio chifre, pode ter certeza que seu leitor vai acreditar em você e vai torcer para que o unicórnio consiga realizar seu sonho.

  6.   Os detalhes importam e muito.

    Descritivo ou não, acho importante o autor observar a vida ao redor para analisar, entender e construir personalidades. Há um baú de tesouro em cada pessoa, quando prestamos atenção no que elas falam, em como elas falam, as palavras que gostam de usar. O autor aprende muito se ele estiver disposto a espiar sem julgar. O verdadeiro dono da história é o leitor, então deixemos que ele julgue e condene nossos personagens como eles bem quiserem.

  7.   É preciso se conhecer.

    Eu escuto muito das pessoas “quero publicar um livro”, mas muitas nem sabem sobre o que escrever, nunca nem experimentaram começar uma história. Talvez a vontade até seja legítima, mas é possível que a pessoa esteja sendo levada a pensar aquilo por alguém ou por alguma propaganda.

    Se você não se conhece a fundo, como vai saber se escrever é o que você realmente quer fazer? O pior inimigo da escrita, na minha opinião, é a expectativa de ser famoso. A escrita, acima de tudo, tem que fazer bem ao escritor. Forçar-se a fazer algo só vai prejudicar uma pessoa: você mesmo.

    Confira o vídeo da Vivi sobre sua participação na série “7 coisas que aprendi”:

Sobre a autora

Escritora Viviane MaureyViviane Maurey é editora na Rocco Jovens Leitores e trabalha no mercado editorial há cinco anos. É nerd, adora conversar sobre filmes, séries e livros e nunca recusa uma pizza! Tem dois gatos, uma capa da invisibilidade, uma Tardis e uma incrível aptidão para dizer besteiras.

Site Oficial

Facebook: Perfil | Diário da Vivi |

YouTube: Diário da Vivi

Twitter: @vivimaurey

Contos: na Amazon

Veja a opinião de outros autores aqui e no Vida de Escritor!

eBook 7 coisas que aprendiGostou das 7 dicas da Viviane? Quer aprender mais com a experiência de outros 58 escritores? Baixe agora o eBook gratuito da série 7 coisas que aprendi.

* Projeto inspirado pela coluna “7 Things I’ve Learned So Far”, da revista Writer’s Digest.



Comente à vontade!

Ou opine pelo Facebook:

Seguir

Inscreva-se e receba notificações de novos artigos por email.

Junte-se a outros seguidores.

%d blogueiros gostam disto: