7 coisas que aprendi – por Rafael Schultz

Em uma iniciativa conjunta* entre os blogs Escriba Encapuzado e Vida de Escritor, T.K. Pereira e Alexandre Lobão convidam escritores para compartilharem suas experiências com os colegas de profissão, destacando sete coisas que aprenderam até hoje. Não interessa se você é iniciante ou veterano, se escreve poesias, contos, romances ou biografias, envie sua contribuição para esta série de artigos!

Neste post, com a palavra, o advogado e escritor carioca Rafael Schultz Ribeiro, autor dos contos Quatro e meia, Angústia, Nova Zelândia e O Taxista da Samaria.

Eis sete coisas que aprendi com a escrita e que, aqui, transmito como conselho, ainda que não me ache habilitado para esse papel.

  1. Leia. Esse conselho pode ser um lugar-comum, mas não sem razão. Quanto mais se lê, melhor se lê. Assim como, quanto mais se lê, melhor se escreve. Você desenvolverá seu estilo de escrita próprio, influenciado pelos escritores que mais lhe agradam.

    A leitura lhe trará inspiração, vocabulário, possibilidades de narrativa, entre outros. Leia os clássicos, mas também os seus contemporâneos. Não deixe de saber o que os seus colegas andam produzindo, o que presta, também, para se perceber em relação aos demais.

  2. Leia Poesia. Leia, pelo menos, alguma poesia. Esse tópico poderia fazer parte do anterior, mas vale o destaque. Ler poesia, descobrir seus poetas e estilos favoritos, é importante, mesmo para quem se dedica à prosa. Um texto em prosa há de ter, ao menos, uma gota de poesia, ainda que no espírito.

  3. Procure um chamado para a sua história. A pergunta é: a que sua história foi chamada ao mundo? Ou seja, o que você quer, em essência, transmitir a quem ler sua história?

    O chamado pode ser simples e genérico, como “provocar medo ou horror no leitor”, o que pode ser feito, por exemplo, em uma narrativa na qual um amuleto, desacreditado de início, parece fazer ressuscitar um ente querido morto e enterrado.

    O chamado pode ser, ainda, mais complexo, como “a crítica à morosidade, complexidade e inacessibilidade dos sistemas legais”, que pode se manifestar por meio de uma narrativa em que o protagonista é preso e processado, e a história caminha sem que lhe seja informado o porquê disso tudo; contando com uma escrita que chega a ser enfadonha e cansativa, o que provoca no leitor o próprio sentimento relativo àquilo que se está criticando.

    Enfim, procure um chamado, ainda que ele surja apenas durante o processo de escrita..

  4. Preocupe-se com o uso correto da língua. Certamente, o texto pode ser submetido a um revisor, mas quem se propõe a escrever deve ter a diligência de fazer bom uso da ferramenta que empunha. Não somos deuses, cometemos erros. Devemos, contudo, evitá-los.

  5. Organize a sua obra. Procure manter um arquivo com informações da história. Anote características dos seus personagens, ainda que não venham a ser usadas, como o local e a data de nascimento, o nome completo, o temperamento, idiossincrasias. Isso lhe ajudará a manter sua narrativa coerente.

    Faça uma estrutura da história, dos seus capítulos ou das suas etapas, do que acontecerá em cada parte. Ainda que o seu processo seja começar a escrever do zero, sem qualquer planejamento, faça um esquema do que já foi escrito, o que lhe ajudará a ter uma visão geral do texto e a se localizar cada vez que retomar a escrita.

    Tudo isso, obviamente, sujeito a mudanças de rumo, as quais certamente ocorrerão durante a criação.

  6. Antes de publicá-lo ou disponibilizá-lo ao público em geral, peça a alguém próximo que leia o seu texto e lhe dê uma opinião sincera. Alguém da família, amigos. É uma maneira de ter sinalizadas questões que o autor, justamente por sê-lo, não consegue enxergar por si.

  7. Saiba lidar com a crítica. Procure levá-la em consideração, mas nem tanto. Não se assoberbe com uma crítica positiva, tampouco definhe com uma negativa. E não se esqueça da citação, de quem agora me fugiu a autoria: “a crítica é fácil, a arte é difícil”.

Sobre o autor

Escritor Rafael Schultz RibeiroRafael Schultz Ribeiro é carioca, advogado e escritor, autor de contos, crônicas, como Quatro e meia, O taxista da Samaria, Angústia e Nova Zelândia, todos disponíveis na Amazon, além de publicações acadêmicas.

Facebook: Perfil |

Contos de Rafael Schultz: Amazon

Contato: r.schultzribeiro@outlook.com

Veja a opinião de outros autores aqui e no Vida de Escritor!

eBook 7 coisas que aprendiGostou das 7 dicas do Rafael? Quer aprender mais com a experiência de outros 58 escritores? Baixe agora o eBook gratuito da série 7 coisas que aprendi.

* Projeto inspirado pela coluna “7 Things I’ve Learned So Far”, da revista Writer’s Digest.


Opiniões recentes
  1. Rafael Schultz Ribeiro
      • Rafael Schultz Ribeiro

Comente à vontade!

Ou opine pelo Facebook:

Seguir

Inscreva-se e receba notificações de novos artigos por email.

Junte-se a outros seguidores.

%d blogueiros gostam disto: