7 coisas que aprendi – por Sergio Rossoni

Em uma iniciativa conjunta* entre os blogs Escriba Encapuzado e Vida de Escritor, T.K. Pereira e Alexandre Lobão convidam escritores para compartilharem suas experiências com os colegas de profissão, destacando sete coisas que aprenderam até hoje. Não interessa se você é iniciante ou veterano, se escreve poesias, contos, romances ou biografias, envie sua contribuição para esta série de artigos!

Neste post, com a palavra, Sergio Rossoni, terapeuta, escritor e artista, autor do livro o Birman Flint e o Mistério da Pérola Negra, seu primeiro romance.

Quando recebi o convite para participar desse projeto super legal, confesso que fiquei muito lisonjeado, ao mesmo tempo apreensivo, tentando ilustrar e definir em 7 tópicos minha experiência como escritor. Se fosse em 50 tópicos seria um pouco mais fácil, mas acho que pude alinhar ideias e momentos que me serviram de reflexão nestes últimos quatro anos em que me debrucei sobre Birman Flint e o Mistério da Pérola Negra.

Muitas coisas que botei em pratica durante este período vieram do meu aprendizado como psicanalista e terapeuta. Escrever um livro serviu-me, entre outras coisas, para amadurecer uma série de conceitos e atitudes que venho tentando botar em pratica a cada dia. Comecei a escrever pequenas historias em quadrinhos que eu mesmo ilustrava quando garoto, desenvolvendo um amor enorme por livros de aventura e desenho. Mais tarde a música acabaria me fisgando e, em seguida (20 anos depois), a psicanálise, onde retomei a escrita publicando textos técnicos em sites e blogs especializados.

Birman Flint e o Mistério da Pérola NegraNo inicio, quando comecei a escrever o que mais tarde seria o livro final, deixei minhas próprias rédeas soltas da mesma maneira como fazia com os desenhos – uma grande terapia, onde o prazer foi tomando uma dimensão cada vez maior, e com ele, o ato de escrever, mergulhar na historia e começar a buscar ferramentas para aperfeiçoar minha escrita.

Depois de aproximadamente um ano, tinha um grande esboço e sabia que jamais deixaria aquilo como um simples projeto terapêutico pessoal. Já fazia parte daquele mundo e precisava contar sua historia. O bichinho do escritor já havia me picado e passei, ainda que temporariamente, a dedicar ao livro mais tempo do que dedicava normalmente ao meu trabalho como terapeuta.

Divido com vocês os sete tópicos em que pensei:

  1. Escrever Birman Flint me ajudou a desenvolver um contato interno enorme, avaliando e colocando em questão certas crenças que me impediam de me abrir para o novo. Dar vazão ao verdadeiro prazer de criar e cultivar um mundo incrível se tornou a representação maior de que somos capazes de tudo quando realmente estamos neste contato com a gente mesmo, deixando de lado uma série de preconceitos e opiniões que muitas vezes não nos servem para muito a não ser impedir esse avanço incrível.

  2. Paciência e perseverança. Muitas vezes me questionava sobre a situação em que o personagem se encontrava e em como eu iria resolvê-las. Foi preciso muita calma e técnicas terapêuticas para aprender a “largar”, deixando as ideias tomarem uma forma natural, até que se traduzissem em inspiração, e depois, na escrita.

    Escrever um livro me ajudou a transportar isso para minhas outras atividades, compreendendo que na maioria das vezes, quando deixamos uma determinada situação livre do nosso controle excessivo (ansiedade), permitimos que ela (a situação em si) se ajuste naturalmente, se expandindo e apresentando inúmeras soluções diferentes.

  3. Crítica. Mais e mais eu ligo a critica com a vaidade humana. Escutar a opinião do outro é sempre importante, mas deixar-se derrubar por ela é uma doença. Doença da vaidade, o que me fez trabalhar muito a ideia sobre a verdade ser apenas uma questão de ponto de vista.

    Não escrevi para agradar necessariamente os outros, muito embora este seja também um dos objetivos. Mas entendi que a primeira pessoa que deveria ser agradada, fisgada, que deveria aceitar meu trabalho como algo real, verdadeiro, era eu mesmo, consciente de que nada do que eu fizesse iria agradar a todos; mas tudo bem, opiniões são bem vindas, com exceção daquelas que só servem para denegrir o processo criativo de alguém. Libertar-me da minha própria vaidade me ajuda a aceitar esse processo tão difícil, principalmente quando alguém pega pesado com a gente – o que não quer dizer que seja a realidade.

  4. Confiança. Comandar um mundo, mesmo que imaginário, me fez mais confiante no que tange ao mundo real, assumindo situações onde antes me preocuparia muito com a aprovação do “outro”.

  5. Reavaliar certos conceitos como, por exemplo, lançar um livro no Brasil é difícil, não tem mercado, etc. Estou acostumado com isso no meu consultório, e neste ponto, escrever Birman Flint ajudou-me a praticar a ideia de que mais e mais devemos nos depreender destas “verdades alheias”.

    O difícil não existe, a menos que você acredite nele. Sou de uma linha terapêutica onde trabalhamos o positivismo, e ser positivo me ajudou muito a abrir meus próprios caminhos, mesmo diante de situações complicadas. Muitas vezes ao longo do trabalho, ao encerrar um capitulo me sentindo bastante satisfeito, eu dizia pra mim mesmo como eu estava feliz com aquilo, e que meu projeto não ficaria engavetado.

    Coloquei como condição fazer tudo ao meu alcance para levantar voo, mas sempre focado no simples, sem dificuldade. Encontrar pessoas descomplicadas, contatar bons parceiros, foram ideias que eu repetia transformando-as em algo real, assim como o livro, que já o era para mim.

  6. Estar pronto para a segunda etapa após a publicação, vencendo certa melancolia, um vazio por não mais sentar diante do computador e rever todos aqueles personagens que fizeram parte do meu dia a dia durante estes 4 anos. Escrever o livro me ajudou a superar seus processos.

    Além do mais, esta segunda etapa é bastante dinâmica, onde divulgar, vender e conhecer pessoas ligadas ao meio completa o processo prazeroso de ver seu trabalho ganhando força. Já conhecia este processo de quando trabalhei com musica. Lançar CDs não era tão diferente assim. Mas confesso que discuti isso varias vezes em terapia, e um bom conselho que tive foi: quando acabar de escrever seu livro, comece outro.

  7. Acreditar em você. Acreditar em você. Acreditar em você e mais… acreditar em você, compreendendo que faz parte deste processo se dar apoio, parar de se criticar, se deixar abater por opiniões que são meros pontos de vista. Opinião construtiva serve para uma boa elaboração. Opiniões destrutivas servem para esquentar um divã durante sessões de terapia.

    Mas acreditar em você, e ter a consciência de que é você quem se dá o melhor apoio, é a chave para uma busca por um caminho mais leve, livre do difícil, complicado, impossível, e mais um monte de outras crendices que somos levados a crer no dia a dia. Acredite na sua historia, aperfeiçoando seus potencias e angariando pessoas com a mesma afinidade – acredite no bem, na leveza e no crescimento.

Sobre o autor

Sergio RossoniNascido em São Paulo em 1967, Sergio Rossoni trabalhou como produtor artístico e musico até meados de 2005 passando a dedicar-se com exclusividade a sua formação como psicanalista, aventurando-se pelo universo freudiano sem deixar de lado sua percepção artística.

Apaixonado por livros de suspense, quadrinhos e filmes, além de terapeuta e escritor, divide seu tempo com outras paixões, o desenho artístico e a ilustração, utilizando-se do pincel e da tinta para inspirar-se na criação de seus personagens. Birman Flint e o Mistério da Pérola Negra é seu primeiro romance. Vive em São Paulo na companhia da mulher e dos cinco filhos felinos.

Sérgio Rossoni: Site Oficial

Facebook: Perfil

Blog: Reflexões de um Psicanalista

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* Projeto inspirado pela coluna “7 Things I’ve Learned So Far”, da revista Writer’s Digest.



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