7 coisas que aprendi – por Marcos Mota

Em uma iniciativa conjunta* entre os blogs Escriba Encapuzado e Vida de Escritor, T.K. Pereira e Alexandre Lobão convidam escritores para compartilharem suas experiências com os colegas de profissão, destacando sete coisas que aprenderam até hoje. Não interessa se você é iniciante ou veterano, se escreve poesias, contos, romances ou biografias, envie sua contribuição para esta série de artigos!

Neste post, com a palavra, o escritor independente Marcos Mota, autor da série de fantasia Objetos de Poder.

  1.   O chamado.

    De nada adianta você direcionar tempo e esforço para uma tarefa à qual não foi chamado verdadeiramente. Escrever um livro faz parte da fantasia de grande parte das pessoas. E ter uma fantasia que é apenas parte de um desejo coletivo não basta. É preciso ter certeza de que é algo pelo qual você faria sacrifícios, porque você certamente terá que fazer (muitos) se quiser se tornar um escritor profissional.

  2.   Um livro qualquer um escreve, porém, escrever com arte literária é para poucos.

    Esta foi a frase que escutei da minha revisora quando escrevi meu primeiro livro anos atrás (e, após revisá-lo, ela disse que era um “lixo”, usando eufemismos). Ciente de que você realmente quer se tornar um escritor profissional, tenha em mente que ninguém nasce pronto, nem mesmo aqueles que possuem tanta facilidade para executar o que desejam.

    Somos todos construídos. Entenda que você terá que buscar, perseguir, a “arte literária” com todas as suas forças, se quiser, de fato, marcar uma geração de leitores com seus textos e livros. Você precisará ler muito e escrever muito também.

  3.   Tenha um mentor com qualificação para tal.

    Depois de “engolir meu orgulho ferido”, mantive a mesma pessoa revisando meus textos por anos. Foram vários livros (que nunca serão publicados) revisados por ela. Eu não sabia, mas, durante 4 anos escrevendo exaustivamente e recebendo as revisões com todas aquelas correções no meu texto, eu estava fazendo um “curso de escrita”.

    Para mim, melhor do que qualquer outro curso formal pelo qual eu poderia pagar. Eu aprendi com meus próprios erros e acertos. Isso me capacitou criar uma escrita própria e muito pessoal.

  4.   A lição do requeijão.

    Imagine que você vai ao mercado e decide comprar um requeijão de uma marca da qual nunca ouvir falar. Ao experimentá-lo descobre que ele é extremamente saboroso, muito mais gostoso que o de qualquer outra marca que já tenha comido e, além do mais, mais barato.

    Você irá oferecê-lo para as visitas que forem à sua casa, irá falar dele quando o assunto for comida, mesmo que nunca tenha visto propaganda dele. E quando retornar ao mercado, você não comprará outra marca. Se você se dispuser a estudar arte da escrita, praticá-la, buscar desvendar seus mistérios, se apaixonar por ela,  o mesmo acontecerá com seu livro.

    No início, você pode não ter o alcance e poder midiático que os best-sellers possuem, a distribuição ampla em solo nacional, a marca de uma forte editora na capa, porém, seus leitores se sentirão impulsionados a falar da sua Obra, tecerão comentários positivos sobre ele pessoalmente para os amigos e nas redes sociais, inundarão sua caixa de e-mail com mensagens carinhosas e de incentivo.

    Possivelmente, você será encontrado por uma boa editora que faz análise de mercado e não precisará passar a vida procurando uma. Então, busque excelência na sua escrita.

  5.   Tenha um plano.

    Se você quer executar algo grandioso, você precisa gastar tempo planejando cada etapa, antes de colocar as mãos à obra. Deve saber que nada ocorre 100% da forma como planejamos (nem em nossas histórias: elas costumam sofrer alterações durante o processo de escrita), ainda assim você deve possuir um plano, pois ele servirá como uma linha guia.

    É dessa “linha guia” que, muitas vezes, você vai tirar fôlego para continuar escrevendo, conseguir analisar de forma valiosa o que pode estar acontecendo durante o processo de execução, promover as alterações adequadas no seu plano original e fazer projeções sobre sua atividade. Sendo assim, planeje tudo o máximo possível antes de começar a escrever.

  6.   Ninguém chega a lugar algum sozinho.

    “Tudo começa e termina no ser humano”, acredito que esta é uma máxima dos relacionamentos. E você precisa acreditar nisso se quiser ter seus livros distribuídos e comercializados. Nesse momento, você perceberá que escrever é a parte mais fácil, porque depende unicamente de você e do seu comprometimento com sua escrita.

    Qualquer passo seguinte (produção independente do livro, busca por uma editora, divulgação, comercialização…), tudo dependerá de um punhado de pessoas. E você deve estar em sintonia com todas elas para que o processo avance. Esse é um momento de trabalho em equipe.

  7.   Aprenda a ser rejeitado, mas também a renascer das cinzas.

    Ser rejeitado é uma constante na vida de qualquer pessoa, independente da idade, sexo, classe social ou qualquer outro fator. Pessoas tentarão fazê-lo desacreditar de seus sonhos, e nem sempre com más intenções, mas porque muitas vezes elas não os compreenderão da maneira correta como você os compreende.

    Aprenda a lidar com isso numa boa, sem se indispor com qualquer um; isso requer humildade. E aprenda também a se reerguer, pois esta será uma jornada longa e haverá muitos momentos de desânimo no caminho. Diariamente, você precisará renovar suas forças e sua fé no projeto que estipulou, da mesma forma como precisa escovar os dentes todos os dias pela manhã.

    Desejo-lhe sucesso, caso venha a se aventurar nesse mercado.

Sobre o autor

Autor Marcos MotaMarcos Mota nasceu em Muriaé, cidade da Zona da Mata mineira, onde passou sua infância e adolescência frequentando a biblioteca da escola e a biblioteca municipal. Cursou quatro anos de Farmácia/Bioquímica na Universidade Federal do Espírito Santo. Largou o curso e retornou para Minas, onde se formou em Engenharia de Produção. Atualmente, alterna o trabalho em uma refinaria de petróleo com o lazer familiar e o prazer de escrever.

Site Oficial: Marcos Mota

Facebook: Perfil

Instagram: @escritorMarcosMota

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* Projeto inspirado pela coluna “7 Things I’ve Learned So Far”, da revista Writer’s Digest.


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