Leitura Complementar: Sóis, Luas e Arcos-Íris – 30 Dias de Construção de Mundo

WorldbuildingEsta é uma leitura complementar aos 30 artigos sobre construção de mundos escritos por Stephanie Cottrel Bryant e traduzidos por muá, Diogo Ruan Orta. Publicado em 2007 para participantes do NaNoWriMo, este tutorial prático e baseado em livros sobre o tema permanece uma ferramenta útil.

Este texto foi escrito por Holly Ingraham e publicado em seu site oficial. Além deste, há outros artigos (em inglês, é claro) valiosíssimos sobre construção de mundos, escrita de ficção, nomes de pessoas e sugestões de livros para pesquisa. Vamos conferir o que Holly tem a nos dizer sobre os corpos celestes de nosso mundo? Então vamos.

Quer mais dicas? Vá ao perfil WattPad do T. K. Pereira e procure por um livrinho chamado Guia do Construtor de Mundos. Recomendo dar uma conferida, já que os textos de lá complementam os deste tutorial – sim, foram escritos pela mesma autora. Segue o chefe por lá pra ficar por dentro.

30 Dias de Construção de Mundo, por Stephanie Cottrell Bryant
Leitura Complementar: Sóis, Luas e Arcos-íris
ou Existe alienígena, logo existe baboseira – por Holly Ingraham

Eu tenho a nítida impressão de que muitos bons escritores nunca olham para o céu de forma contemplativa. Ele só está lá. Eles não pensam sobre o que estão vendo, como ele funciona. Talvez eles vivam em cidades poluídas demais para se ver a lua e seca demais para arcos-íris. Este artigo foi escrito para que você não seja um desses escritores.

“O Planeta era Tão Estranho Que o Sol Nasceu no Oeste.”

A definição da palavra “oeste” é “a direção geral em que o sol se põe”. Para ser preciso, onde ele se põe nos dias de equinócios. Se você estiver em Minnesota e o sol estiver nascendo sobre a Califórnia, a localização “leste” se altera. A direção do nascer do sol determina o nome das direções. Não há direção absoluta para além disso; é a base da direção. Ou seja, esse tipo de coisa simplesmente não acontece.Já que estamos tratando de sóis alienígenas, vamos considerar todas as questões astronômicas sobre sóis vermelhos e brancos, sóis verdes e azuis.

Estas são só classificações astronômicas, e em seus próprios sistemas solares essas supostas cores não são visíveis. Nosso próprio sol é classificado como “amarelo”. No entanto, se você observá-lo (cuidadosa e brevemente) no alto do céu, ele brilha na cor branca. A luz que ele envia para baixo é branca. Ele só fica dourado ou rosa ou vermelho sangue quando está tão baixo que o ângulo através da atmosfera modifica sua luz.

O mesmo se aplica às outras cores de sóis. Todos eles queimam a temperaturas astronômicas tão intensas que a luz emitida, a cor vista de qualquer planeta em seu sistema solar, é branca. Assim, cenas complexas com sóis azuis e vermelhos lançando luz violeta com manchas mistas são improváveis – desculpe, não, a coisa não funciona desse jeito.

Alien Sunrise - Desert Planet - Deserto - Sol

Ei, eu também fiquei decepcionada. Um amigo astrofísico assinalou que as estrelas vermelhas costumam não ter o espectro verde-amarelo, portanto, pode haver uma mudança de cor sob as estrelas deste tipo. Mas eu duvido. Ele está falando de análises espectrográficas e não sobre estar sob tal luz.

Já que estamos falando de múltiplas estrelas, observemos que estas podem resultar em noites mais curtas do que quando há apenas uma. Se, do ponto de vista de alguém no planeta, os sóis estão próximos e o planeta gira em torno de ambos, é como se houvesse uma única grande estrela. Se eles têm uma separação de qualquer tipo, um nascerá, e depois o outro. Repetindo que ao pôr-do-sol você terá um dia mais longo com uma noite mais curta, sempre.

Se o planeta se move entre duas estrelas formando um 8 – uma trajetória orbital altamente hipotética e provavelmente impossível –, então não existirá noite durante o tempo em que o planeta estiver entre ambas as estrelas.

Note-se que para isso ocorrer, as estrelas devem estar tão distantes uma da outra a ponto da órbita ser tão longa que esse período “sem noites” duraria o nosso equivalente em anos. Isso provocaria alguns ciclos de vida muito estranhos no planeta, o que poderia ser bem divertido.

“A Lua Cheia Ascendeu à Meia-Noite”

Não importa quantas luas você tenha, elas dependem da luz de um sol para brilhar. Eu sei que você sabe disso, mas não estou tão certa sobre outras pessoas. Elas parecem tratar a lua como um tipo de vagalume gigantesco, piscando ora sim ora não muito lentamente. Eis um resumo dos deslizes mais comuns acerca do surgimento da lua que já encontrei na ficção terrestre ou nas que envolvam planetas com satélites lunares:

Trapalhada 1: é sempre lua cheia. Exceto quando o escritor precisa de escuridão. Então não há lua. Mas será lua cheia novamente tão logo seja conveniente. Tipo, duas noites depois.

São necessários 29,5 dias neste planeta para a lua mudar de cheia para cheia. Quatorze dias depois da cheia vem a lua nova, quando esta não é visível a olho nu. Entre esses extremos, ela será um círculo mais ou menos crescente ou decrescente.

Alien Sky - Two Moons - Twin Moons

Não importa o planeta, tampouco a quantidade de dias necessários para um ciclo completo da lua, ela será mais uma crescente do que cheia. Costuma-se considerar que a lua cheia perdura por três noites, incluindo aí a verdadeira lua cheia. O mesmo vale para a lua nova.

Rastreie sua história usando seu próprio calendário planetário. Se existirem algumas noites em que a lua deva estar cheia, ela terá que estar menos do que cheia nos dias que antecedem tal noite. Após tal data, você terá apenas lascas minúsculas que nem sequer estarão muito altas no céu. O que nos leva à…

Trapalhada 2: a lua nasce ao pôr do sol. Afinal, a lua está logo ali para iluminar a noite quando o sol se vai. Logo, a lua também se põe ao amanhecer.

A lua não está ali para ser uma luz noturna. A lua está ocupada com sua própria órbita e não dá a mínima se tropeçamos nas coisas no escuro. Na maior parte do mês a lua nasce durante as horas iluminadas do dia ou se põe antes de escurecer.

Verdade. Vá pra fora todos os dias por um mês e você poderá observar isso por conta própria. Contudo, você precisa viver em algum lugar com céu limpo para ver a lua alta no céu diurno pela manhã ou à tardinha. É lindo! As áreas iluminadas pelo sol são brancas, as sombras, o céu todo azul, é como se ela estivesse surgindo de um lago azul.

Agora, experimente sair todas as noites por um mês em busca daquela lua que deveria estar ali bancando poste de luz. A maior parte do tempo ela não aparece. Agora você sabe o que todo fazendeiro do Neolítico e caçador do Paleolítico sabiam: a maioria das noites tende de escura pra ainda mais escura, por mais ou menos horas.

Pra simplificar, apenas a lua cheia nasce próxima ao pôr do sol (assumindo que você esteja em um equinócio; sim, tudo se complica quando você tenta ser muito preciso, mas estou te dando uma noção geral).

Na lua nova, esta está nascendo, na verdade, ao nascer do sol e se escondendo no brilho do sol enquanto volta sua face iluminada totalmente na direção oposta a nós. A lua crescente nasce logo após o sol. O quarto crescente nasce ao meio dia. O quarto minguante nasce à meia-noite. (Mais uma vez, estou simplificando porque a órbita da lua não está ligada à rotação da Terra do modo como você acha estar).

A hora do “nascimento” e a fase da lua estão interligadas e não podem ser modificadas, não importa o quão distante seja a galáxia. Quando nossa lua ou qualquer satélite lunar nasce na verdadeira meia-noite (e não a do relógio), ela se mostrará no quarto minguante. A hora em que a lua surge determina sua fase, se preferir.

Logo, se alguém diz, “no meu planeta, a lua cheia nasce mesmo à meia-noite”, então nesse planeta a água pode correr morro acima também e eu não quero estar lá. As posições relativas da lua, do planeta e do sol determinam, simultaneamente, a fase e a hora do surgimento.

Se você não está no equinócio, a lua cheira nascerá à tardinha durante o solstício de verão e no início da noite durante o solstício de inverno, supondo que você esteja próximo o bastante dos polos para levar em conta a diferença na duração do dia.

As zonas temperadas estão próximas o bastante, razão pela qual nessas áreas existe o horário de verão. Os trópicos têm relativamente poucas alterações entre os solstícios e não fazem uso desse horário especial.

Se você está na Terra ou algum lugar parecido, pegue um almanaque para planejar a mudança do tempo. Sua melhor opção é o The Old Farmer’s Almanac. Se você está em outro mundo, onde talvez o mês seja mais longo ou curto, apenas divida o tempo igualmente de modo que a lua não faça saltos irregulares na hora de nascer.

Trapalhada 3: luas múltiplas sempre estarão na mesma fase, e todas nascem juntas. Se elas nascem em momentos diferentes, suas fases coincidirão. Sempre cheias, é claro.

Total Recall - Mars Colony - Movie

Esta espalha os erros 1 e 2 sobre vítimas múltiplas.

Se um planeta tem múltiplas luas, elas precisam estar em órbitas diferentes. As órbitas terão tamanhos diferentes e as luas viajarão a velocidades diferentes. A ideia de que elas viajarão a velocidades tamanhas de modo a estarem sempre no mesmo lugar em suas órbitas, do ponto de vista de um indivíduo no solo, é tão impossível de se concretizar com satélites artificiais que realizá-la com satélites naturais pode ser considerado como implausível, se não impossível.

Cada lua terá uma duração de mês diferente. Você precisará mapear isso. Da mesma forma, se as luas têm diferentes eixos orbitais, elas podem surgir em pontos um pouco diferentes no horizonte e podem traçar cursos diversos através do céu. Você pode usar isso para dar aos seus povos mais pontos de referência de direção.

Satélites Não-Lunares: as Equações Marcianas

Caso esteja se questionando sobre a aparentemente redundante expressão “satélite lunar”, bem, nem todos os satélites planetários naturais são luas. Mais especificamente, eu topei com um artigo na minha Enciclopédia Americana 1959 sobre o sistema sola que confirma o que escrevi acima sobre “O Problema Lunar”, mas nos dá mais informações sobre “Deslocamentos Interessantes dos Satélites Marcianos”.

Simplificando: o dia marciano dura 24 horas e 37 minutos.

O período de revolução de Phobos é de apenas 7 horas e 42 minutos, transitando ao longo de apenas 3,700 milhas (6.000 km) sobre a superfície marciana. Como resultado, ela atua mais como nossos satélites artificiais. Devido ao curto período, Phobos nasce mesmo no oeste – diferente dos sóis, luas podem nascer em qualquer lugar, incluindo no norte ou no sul, como convir a suas órbitas.

Phobos é visível sobre o horizonte apenas por 4 horas e 18 minutos. Contudo, apenas 11 horas transcorrerão entre os surgimentos. Além disso, devido à sua órbita baixa, a lua só é visível abaixo de 68º N & S na superfície. Próximo aos pólos, Phobos não pode ser vista.

Deimos tem um período de 30 horas, o qual está tão próximo da rotação de Marte que uma vez que surja (no leste), ela permanece alta por 66 horas. Isso é mais de dois dias marcianos e meio. Enquanto se arrasta pelo céu, ela percorre duas vezes o seu ciclo de fases entre nova e cheia, indo e voltando (sim, meu cérebro também vacila ao tentar imaginar isso). Isso poderia te conceder um relógio natural, tipo, “vamos nos encontrar novamente no segundo quarto minguante após o próximo nascer da lua”.

Logo, você não precisa de uma lua como a nossa em seu planeta: você pode ter uma lua como Deimos ou Phobos com períodos muito mais longos ou curtos. Elas são o tipo de lua mais comum para planetas terrestres. Nossa lua é mais uma parceira da Terra em uma espécie de arranjo de planeta binário.

Note que Phobos é uma lua condenada: ao viajar tão perto de seu planeta primário, ela está abaixo de uma órbita permanente e está lentamente sendo atraída para baixo. Estimativas preveem que em meros 50 milhões de anos mais Phobos quebrará ou colidirá, portanto, luas deste tipo são fenômenos relativamente temporários.

“Ao meio dia, a Tempestade Eclodiu e um Belo Arco-Íris se Abriu de Um Horizonte a Outro.”

Se é uma história de fantasia, isso significa, definitivamente, que há magia envolvida. Tal efeito teria de ser provocado por alguma luz mística ou por uma ilusão. Arco-íris naturais não podem se abrir de um horizonte ao outro e eles apenas surgem de manhã cedo ou à tardinha.

Pelo menos o escritor colocou uma tempestade nos arredores. Eis outros equívocos comuns envolvendo arcos-íris:

Castle in the Rainbow - Fantasy

Trapalhada 1: o observador mira o sol nascente ou poente enquanto admira o arco-íris.

Para um arco-íris ocorrer, a fonte de luz precisa estar atrás do observador. Se seu amigo vê um arco-íris e te orienta a ficar no meio do arco que ele percebe, você verá o sol ou lua bem acima ou atrás de seu amigo. Você não pode ver a fonte de luz que cria o arco-íris e ao mesmo tempo ver o arco-íris.

Isso se dá porque um arco-íris é apenas um truque da luz, não algo independente ou concreto. Se você ficar de costas para a luz e se houver uma camada de umidade no ar a sua frente, as gotículas de água refratam a luz, criando o espectro que se espalha no formato de um arco. A propósito, as ondas luminosas mais curtas (que formam o vermelho) costumam ficar do lado externo do arco.

Trapalhada 2: o arco-íris ocorre num local seco.

Deve haver algo refratando a luz em espectro para se formar um arco-íris. Nós costumamos encontrar arco-íris antes ou após a chuva, quando gotículas de água estão no ar, mas quando as nuvens estão posicionadas de modo a permitir a passagem da luz do sol.

Nós também os vemos na névoa que sobre da base de uma cachoeira, quando o sol a ilumina do jeito certo. Teoricamente, se você tivesse cristais de quartzo transparente num formato adequado levados ao alto pelos ventos você também poderia gerar um efeito de arco-íris. Mas isso é tão teórico que se pode dizer que não ocorre.

Certamente, eu não vi arco-íris o tempo todo em que vivi no clima desértico do sudoeste. Mesmo no Oregon, na Virgínia e na Nova Inglaterra eles eram raros ao ponto de eu nunca ter avistado um. Aqui no Havaí, por outro lado, eles são extremamente comuns, razão pela qual eu pude estuda-los tão avidamente.

Trapalhada 3: há mais do que um, em diferentes locais.

Arcos-íris triplos acontecem. Fique do lado de fora do Centro Ala Moana, na interseção da Boulevard Kapiolani com a Keeamoku, por volta das quatro da tarde e olhe para o Vale Manoa. A Névoa de Manoa (uma ocorrência quase diária em todas as estações, exceto as mais secas) fornece a chuva e o sol poente está posicionado da maneira certa. Arco-irís duplos não são incomuns ali, embora os triplos sejam raros.

Contudo, um arco-íris múltiplo é um arco-íris verdadeiro, com sua reflexão na neblina úmida e pesada. Primeiro, existe o arco-íris normal. Dentro ou fora deste está sua imagem espelhada, as cores invertidas de modo que o violeta está no arco superior. Daí vem a reflexão da reflexão com as cores reversas revertidas de volta ao normal. Logo, o arco-íris original precisa ser muito brilhante, criado por uma luz forte. Cada reflexão é mais fraca, sendo que a terceira costuma ser a mais esvaecida.

Lembre-se sempre: arcos-íris não são objetos, mas sim ilusões que obedecem a certas leis de observação. Quando múltiplos, arcos-íris aéreos estarão um dentro do outro, e não espalhados por aí ou com suas extremidades sobrepostas.

Fantasy - Rainbow - Nature - Concept Art

Trapalhada 4: o arco-íris se estende de horizonte a horizonte através do centro do céu.

Como o arco-íris é um truque de luz que depende do ponto de observação, luz e umidade, ambas as extremidades dele estarão à vista sem que seja necessário girar a cabeça (a não ser que o indivíduo tenha um campo de visão limitado incomum). Você nunca vê as extremidades tocando o chão é por ou não há água ali, ou pelo ângulo da luz está errado, ou por haver algo no caminho.

Em teoria, e nas poucas vezes em que pude observar, você consegue ver o arco-íris completo até o, digamos, oceano ou superfície de uma enseada. Desculpe, nada de pote de ouro aqui. Menehunes (NdT: seres mitológicos havaianos) só deixam taro (NdT: espécie de inhame-coco) – naturalmente, arcos-íris sempre ficam na sua frente enquanto estão visíveis, portanto, você nunca consegue chegar perto de suas extremidades.

De fato, existe um limite para o quão alto no céu o topo do arco consegue estar. O melhor que já testemunhei em muitos anos de contemplação de arcos-íris é até a metade do céu, e eles costumam estar mais a cerca de um terço da distância. Parece que isso depende da altura do sol no momento: quanto mais baixo o sol, mais alto o arco.

Isso também significa que eles não ocorrem entre o meio da manhã e o meio da tarde: o sol está alto demais.

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Direitos

Os exercícios de construção de mundo estão sob uma licença Creative Commons que permite tradução, distribuição para grupos de escrita, venda (com permissão), reimpressão (para uso não comercial) ou cópia exata, todos com os devidos créditos à autora do texto original, Stephanie Cottrell Bryant.

Esta tradução NÃO pode ser distribuída de forma alguma senão em trechos curtos dos textos (até 100 palavras), desde que seja visivelmente dado crédito ao tradutor (Diogo Ruan Orta) e desde que haja um link direcionando para o site Escriba Encapuzado.

Favor respeitar o trabalho árduo de tradução do amigo Diogo.

Para saber mais:

  1. Dia 25: Céu – 30 Dias de Construção de Mundo: neste vigésimo quinto exercício da série, vamos tratar dos corpos e fenômenos celestes de nosso mundo.

Especial NaNoWriMo:

  1. 30 dias para escrever um livro – saiba mais sobre o evento no primeiro artigo da série sobre o evento.
  2. As críticas e o valor do desafio – saiba porque o evento é visto com desconfiança por escritores e demais profissionais do mercado editorial.
  3. Como escrevi um livro em 30 dias – onde detalho minha participação no evento em 2012.
  4. Diário de escrita – onde falo sobre valor de se manter um diário e compartilho o meu próprio.
  5. Guia de sobrevivência – dicas para aqueles que ousarem aceitar o desafio!
  6. National Novel Writing Month: página oficial do evento (em inglês).

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