7 coisas que aprendi – por Luisa Geisler

Em uma iniciativa conjunta* entre os blogs Escriba Encapuzado e Vida de Escritor, T.K. Pereira e Alexandre Lobão convidam escritores para compartilharem suas experiências com os colegas de profissão, destacando sete coisas que aprenderam até hoje. Não interessa se você é iniciante ou veterano, se escreve poesias, contos, romances ou biografias, envie sua contribuição para esta série de artigos!

Neste post, com a palavra, Luisa Geisler, duas vezes vencedora do Prêmio Sesc de Literatura e autora de Luzes de Emergência se Acenderão Automaticamente (Alfaguara, 2014), Quiçá (Record, 2012) e Contos de Mentira (Record, 2011).

  1. Leia muito.

    Muito mesmo. E de tudo.

  2. Tenha um pouco de humor.

    Isso não quer dizer ser abobado ou ingênuo. Quer dizer perceber que no final das contas você está em um planeta que está evoluindo e girando a 900 milhas por hora (citando the Universe Song, do Monty Phyton). Para mim, a única forma de lidar com niilismo é humor. Então perceba que você é ridículo, literatura é ridícula e nós somos só poeira espacial. Menos apego (a tradições, a certezas, a concretude) gera boa literatura.

  3. Cada autor tem seu próprio processo.

    Fulano da Silva bebia cinco xícaras de café antes de começar a escrever. Beltrano escrevia cinco páginas e cortava duas. É muito fácil se prender à mística e ao fetiche de “ser” o autor admirado. Mas não é assim que funciona. Desde que o resultado final seja escrever, escreva do jeito que funcionar para você.

  4. Isso quer dizer que não existe idade certa.

    Muitas pessoas que falam comigo se comparam com o fato de que escrevi e publiquei um livro antes dos 20 anos de idade. Acontece que, como alguém que publicou um livro antes dos 20 anos, consigo ver que existem vantagens inúmeras e desvantagens inúmeras. Eu teria evitado uma série de se tivesse apenas guardado meus livros e publicado mais tarde. Cada rota tem resultados diferentes, e nem todos são desejáveis.

    A questão da idade é só uma causa de ansiedade na sua cabeça, afinal, há autores brilhantes que começaram a publicar com sessenta anos. Sempre tem uma jornada mais rápida, mais “interessante” que a sua. Não fetichize a jornada alheia. Até porque, se eu me comparar com David Bowie, ele era muito mais genial que eu aos 25 anos.

  5. Aprenda a ouvir.

    Isso não quer dizer se dobrar, mas o processo de escrita não é você e sua genialidade num quarto escuro. Aprenda a ouvir opiniões alheias, aprenda a rever seu texto como um leitor que não é obrigado a ler o que você está escrevendo.

  6. Tenha paciência.

    Muita. Nesse caso, o item #2 ajuda muito.

  7. Releia.

    Nesse caso, o seu próprio texto. Ou não.

Sobre a autora

Escritora Luisa GeislerLuisa Geisler é autora de Luzes de Emergência se Acenderão Automaticamente (Alfaguara, 2014), Quiçá (Record, 2012) e Contos de Mentira (Record, 2011). Tem textos publicados internacionalmente desde a Argentina até o Japão (rota pelo Atlântico) e acha essa ideia simpática.

Processo Criativo: 2 mil toques

Blog da Companhia das Letras: Coluna

Facebook: Perfil

Twitter: @luisageisler

Veja a opinião de outros autores aqui e no Vida de Escritor!

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* Projeto inspirado pela coluna “7 Things I’ve Learned So Far”, da revista Writer’s Digest.



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